Relativamente a uma proposta de um comentarista, claramente provocatória:
Minde sempre foi uma terra de comerciantes, empresários e, no último século, de industriais.
Ao contrário do espírito do comum Português, os Mindericos souberam ir mais além que o mero comércio (entendido como a compra e venda de um produto para vender com mais-valia), e começaram a produzir os seus produtos, inicialmente as mantas de Minde e depois a malha exterior (embora existam ou tenham existido outro tipos de indústrias/produtos).
O Português não tem na sua matriz a produção. O Português gosta de estar na última fase, nas vendas e no comércio puro e duro. Claro que os Mindericos sempre tiveram esse ofício – a nossa fama precede-nos –, tendo-o aprimorado de tal maneira que deu origem a um linguajar: o Calão Minderico – um dos nossos “ex-libris”. Mas acabaram por ir mais longe.
Um dia, quando o Museu do Têxtil de Minde estiver feito poderemos analisar e falar melhor dessa história (só um reparo: penso que um Museu apenas do Têxtil numa terra do tamanho de Minde não será grande ideia, mas...).
Se os industriais de 1ª geração eram ou não melhores que os da 2ª ou 3ª?!!
Entende-se a 1ª geração como os que inicialmente criaram fábricas ou como todos aqueles que criam um negócio ou uma fábrica de raiz? Para o que eu vou dizer é indiferente.
Ninguém pode afirmar quem era melhor ou pior. Isso seria uma estupidez! É o mesmo que dizer quem é melhor, se o Maradona ou o Ronaldinho, se o Fangio ou o Shumacher.
E o que é um melhor industrial? O que faz as melhores malhas? Que faz as malhas mais resistentes, as mais bonitas ou as mais quentes? Que ganha mais dinheiro? Que tem o maior volume de negócios? Que emprega mais trabalhadores? Que paga melhor aos trabalhadores? Que paga mais ou paga menos impostos? Que investe mais? Que tem mais clientes? Que tem clientes há mais anos?
Nos de 1ª geração haverá os bons e os maus, os gordos e os magros, os feios e os bonitos, os ladrões e os honestos, os com sorte e com azar, os com amigos e os sem amigos, os espertos e os burros, os com visão e os sem visão, os grandes e brilhantes, os medíocres e cinzentos, etc., etc..
Na 2ª, na 3ª , na 4ª e nas outras idem...
A evolução da sociedade e, principalmente, da conjuntura económica, social e tecnológica nos últimos anos impede qualquer comparação.
Determinar o que é que aconteceria se as fábricas que existiram fossem criadas hoje é que será mais fácil. Acho que é claro como água que seria impossível criar as fábricas de Minde – as actuais e as que já existiram – hoje.
O sector têxtil actualmente – e a maioria dos sectores – é hoje muito diferente, para muito, muito pior, do ponto de vista de Minde e dos Mindericos. Alongava muito este post se me debruçasse sobre toda a conjuntura que colocou os têxteis em crise. Se há sector onde propriamente se pode falar em grande, grande crise nacional (e europeia) é o “nosso”. Tudo o mais que for falado, principalmente por pessoas com má vontade, ressabiados e normalmente sem qualquer conhecimento do que estão a falar, é conversa da treta. São os chamados sacos de vento.
bjs Mindericos,
Polge do Ninhou
ps: Relevem é eu não ser nenhuma expert nisto, nem sequer em história Minderica e que se calhar até me esqueci de mencionar alguma coisa importante...